sábado, 27 de maio de 2017

Narração: Tipos de Narrador (Gérard Genette)

tipos de narrador
A Bela e a Fera, 1991


Narração: Tipos de Narrador (Gérard Genette)

Artes e artistas compactuam das mesmas ideias: eis um paradigma que precisa ser quebrado. Obras podem falar pelo seu autor, mas isso não é regra, e entender isso é entender também que nem sempre o narrador exprime os pensamentos do autor e que autor e narrador não são a mesma pessoa. Mas, afinal, qual a diferença entre autor e narrador? Simples: autor é a quem pertence autoria da obra, o criador; narrador pode ser a criatura. Pode, pois em uma análise vulgar existem três tipos de narradores, o de primeira pessoa, o de segunda e o de terceira pessoa, e para cada um dos casos cabe a interpretação de um tipo de criatura, mas também cabe a interpretação de nenhuma criatura, e é aí onde entra o autor.

Em uma análise mais detalhada, os tipos de narradores são diversos. O teórico francês Gérard Genette se incumbiu dessa análise mais aprofundada dos tipos de narradores e observou quatro tipos de narradores: autodiegético (aquele que narra a sua própria história - para alguns críticos, este é como uma vertente do homodiegético); homodiegético (aquele que narra e participa da história de outrem); heterodiegético (aquele que narra, mas não participa da história de outrem). Além dos narradores supracitados, existe outro tipo de narrador que determina o foco da narrativa, e esse entra no assunto foco narrativo, tema para outra postagem, ele é o narrador onisciente (aquele que sabe de tudo sobre as personagens - para alguns críticos, o narrador onisciente é como uma vertente do heterodiegético).

Partindo da classificação dos tipos de narradores feita por Genette, é possível ainda esmiuçar os tipos de narradores e classificá-los como extradiegético e intradiegético. Veja: narrador extradiegético (aquele que narra, mas que dá espaço para uma nova narração dentro da sua narração); e o intradiegético (narrador que narra dentro da narração do narrador extradiegético).

Agora vamos ilustrar esse tanto de conceitos dados durante esta postagem: em A Bela e a Fera (1991), logo no início, alguém conta como o príncipe se tornou no fim das contas uma fera. Esse narrador é extradiegético-heterodiegético, pois além de dar espaço para uma nova narração a partir da sua narração, ele não faz parte da história do príncipe e da feiticeira que o tornou um monstro. Em Shrek (2001), no início quando o próprio Shrek conta a história da Fiona, temos um narrador extradiegético-homodiegético, pois além de dar espaço para uma nova narração a partir da sua narração, ele faz parte da história contada por ele mesmo. Desses pontos em diante, as histórias assumem diferentes tipos de narradores: intradiegético-heterodiegético-onisciente, pois contam a história das respectivas personagens dentro da história contada pelo narrador extradiegético e o novo narrador conta história das duas personagens (Bela e Shrek) sem participar da história, no entanto, cientes dos sentimentos de cada uma das personagens.

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