segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

O Que Faz de Uma Obra Um Clássico?

o que faz de uma obra um clássico
500 Dias com Ela, 2009.


Entender o que é e como surge um clássico é uma tarefa um pouco complicada e controversa, porque, além de todo aquele auê que já expliquei tim-tim por tim-tim na postagem sobre o Cânone Literário, e que agora volto a mencionar com enfatização, ainda existem algumas "etapas" - bem subjetivas, pois partem simplesmente de observações -, pelas quais uma obra precisa passar até alcançar o tão famigerado título de clássico. É uma tarefa complicada, mas estamos aqui para simplificar as coisas ao máximo e te fazer entender, tudo bem?

Assim como tantos outros, o conceito de clássico mudou e continua a mudar com o passar dos anos - quem leu a postagem sobre por que o cinema é considerado a sétima arte sabe do que eu estou falando. Antes de tudo, vale lembrar que raros são os casos que uma obra recém-lançada se torna um clássico, isso, porque para que uma obra assim seja chamada, ela precisa ter resistido ao tempo e sobrevivido à memoria coletiva, e o que a torna resistente ao tempo e persistente na memória coletiva é a sua originalidade capaz de influenciar novas obras e/ou capaz de criar novos caminhos na história.

E por falar em história, a questão histórica também conta muito. Os clássicos geralmente sintetiza as ideias vigentes no seu momento histórico, mas como eu disse nas postagens sobre o Cânone Literário e da Periodização Literária, que valem muito a pena serem lidas, existe todo um rolê que faz desse critério um tanto injusto - o que deixa claro o porquê da subjetividade mencionada no início.

Passei alguns meses pesquisando sobre o que fazia de uma obra um clássico, e as postagens, artigos e vídeos que eu andei estudando diziam basicamente isso. Tinham algumas outras coisas, mas que se fosse para usar uns "ou seja" se resumiria basicamente nisso aí mesmo. Porém, eu assisti a um vídeo de uma youtuber chamada Vanessa Chanice, no qual ela comenta uma coisa que merece atenção nessa postagem.

No seu vídeo, ela discute o motivo pelo o Cânone Literário está sendo tachado como algo polêmico. Ela discorda da ideia que eu apresentei na postagem sobre o Cânone e comenta uma maneira de determinar uma obra como clássica segundo os ensinamentos do seu professor, que no caso seria se baseando na quantidade de produções que aquela obra conseguiria gerar em um determinado período após seu lançamento.

Não consegui pensar em um exemplo voltado à literatura, então vou usar a música para elucidar a ideia por ela dada: em 2011, a Lady Gaga lançou o seu terceiro álbum de estúdio, o Born This Way. É um álbum pop comercial/conceitual contendo 17 faixas, nas quais rola todo um discurso a favor das diferenças. Born this way, do inglês, Eu Nasci Assim, acabou se tornando lema da comunidade LGBTQ+ que acredita na ideia de que sexualidade não é uma opção, mas sim uma condição. Muitos clipes têm sido criados desde o lançamento do Born This Way, e na maioria dos que abordam pautas da comunidade, sempre rola uma alusão a esse álbum, como no caso de Really Don't Care da Demi Lovato (2014), Heaven do Troye Sivan (2017) e Cheguei da Ludmila (2017). Então, no conceito de clássico do professor da Vanessa, o Born This Way, que mesmo após 6 anos desde o seu lançamento, ainda conversa com outras obras, ainda é responsável pela criação de novos conteúdos, logo, ele tem chances de se tornar um clássico desde que mantenha esse ritmo por mais alguns anos.

Eita que essa postagem ficou enorme, mas, concluindo aqui: acho esse conceito mais justo, pois quem determinaria o que é ou não um clássico seríamos nós que consumimos as artes. E só para deixar claro que isso aqui pode ser entendido como uma discussão, logo você está livre para deixar seu ponto de vista - o que é um clássico para você? 

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