sábado, 3 de dezembro de 2016

Entrevista com Gavin Worth

entrevista com gavin worth
The Kiss by Gavin Worth

Precisava fazer um anuncio antes de começar a postagem propriamente dita: sou o novo criador de conteúdos da Insossidade. Iupi! Precisava fazer esse anuncio, porque foi no grupo da página que eu descobri o Gavin e suas esculturas maravilhosas. 

Gavin Worth é africano de Zimbaué, mas foi na América do Norte, mais especificamente no México, que ele cresceu. Ator por formação, Gavin chegou a exercer sua profissão atuando na Santa Fe Shakespeare Festival, the San Francisco Shakespeare Festival e California Shakespeare Theater, mas sempre dividindo seu tempo com outras artes, como a música, escultura e a pintura, por exemplo.
Sua paixão pelas artes se aflorou definitivamente quando ele viu, em uma biblioteca, "The Head of Leda" de Michelangelo. "Aquilo foi a coisa mais bonita que eu tinha visto em toda a minha vida. Era tão delicado e preciso, e as formas eram tão bem construídas que me deixaram intrigado com o fato de alguém ter feito algo tão perfeito, especialmente se levarmos em consideração que era apenas um estudo, um esboço", disse Gavin em entrevista via e-mail.

Conversei com o Gavin por e-mail, e prometi a ele que dividiria essa postagem em duas partes: na primeira, uma espécie de artigo; na segunda, alguns tópicos listados para ele discorrer sobre os assuntos propostos. Mas, me desculpa, Gavin, mudei de ideia, porque assim acabaríamos perdendo muitas partes interessantes da entrevista, então, decidi que a postaria na integra. Confiram:

Entrevista com Gavin Worth

Antes de começarmos, eu gostaria de saber: você já esteve no Brasil? Se a resposta for não, você pretende nos visitar ou expor por aqui? Qual é a primeira coisa que lhe vem à mente quando você pensa no Brasil?

Gavin: Sim, na verdade, eu desenvolvi um projeto no Brasil no ano passado. Eu fui contratado pela Lexus para fazer esculturas em grande escala e passar duas semanas em São Paulo criando as peças. Eu amei estar no Brasil. Todo mundo que eu conheci foi tão amigável e hospitaleiro e a comida é tão maravilhosa. Eu ainda não tive a oportunidade de expor em galerias aí no Brasil, mas agência que eu trabalhei está procurando por diferentes espaços, galerias e museus para expor uma das peças que eu fiz. Espero que role! 

entrevista com gavin worth
Hands Clasped by Gavin Worth

entrevista com gavin worth
Hands Supplicated by Gavin Worth

Michelangelo meio que mudou sua vida. Ele ainda é sua grande influência hoje em dia?

Gavin: Ele foi e ainda é a minha maior inspiração. Ele é tão grandioso e fez tudo tão inacreditavelmente bem que você não consegue fugir das suas influências. Fui sortudo ao ponto de conhecer Florença algumas vezes, e ter visto David foi como uma peregrinação para mim. É difícil de imaginar qualquer coisa que ultrapasse isso ou o Teto da Capela Sistina hahah. Mas quando Michelangelo aparece ali, como o superego espalhado pelo firmamento, eu encontro inspiração em toda parte. Além disso, eu também sou obcecado com a mitologia Kachina da tribo Hopi - ela tem algumas das imagens mais bonitas que eu já vi. James Jean é provavelmente o melhor da nossa geração. E eu me perco no trabalho no trabalho de Paul Klee.

entrevista com gavin worth
Her Back by Gavin Worth

Qual é a parte mais difícil em ser autodidata?

Gavin: Quando você é um autodidata, você se acostuma em criar tudo do zero. Você não tem o alívio de construir em cima de uma estrutura existente, por assim dizer. E pode ser extremamente difícil entrar em uma comunidade, especialmente nas comunidades particularmente exclusivas e insulares do mundo da arte. Mas por outro lado, eu acho que você, muitas vezes, aprende as coisas de uma forma muito mais profunda porque a motivação é pura e você é forçado a considerar todos os lados das coisas a fim de aprender com ela. 

Você diz muitas coisas bacanas sobre o Egito, mas enfatiza ao dizer que você viu três presidentes durante esse tempo por lá. Foram golpes de estado? O Brasil passou por algo parecido nos últimos meses e praticamente tudo esteve focado nesse momento (inclusive as artes). Você acha que você foi influenciado de alguma forma? 

Gavin: O Egito é bem complexo, e eu vivi lá por três anos - três anos bem conturbados por mudanças políticas e sociais. Nesse período, eu era simplesmente um visitante, e foi incrível estar lá durante esse momento, mas bem difícil de entender toda a situação sendo um "forasteiro" também. Eu acredito que seria bem complicado argumentar que a última mudança de poder não foi um golpe, mas quando eu estava lá, esta questão estava bem divisiva entre os egípcios com os quais eu falei.

Bem antes da gente chegar, a revolução acontecera e o governo de Mubarak já tinha desistido. Foi no meio da primavera árabe e havia uma sensação de esperança no ar. As eleições foram realizadas, e os egípcios que eu conheci estavam emocionados com a oportunidade de uma democracia. Tiveram vários escândalos durante a eleição, mas Morsi ganhou. Pouco depois, protestos violentos começaram e o presidente foi preso. Ele foi imediatamente substituído pelo General Sisi, o cabeça das forças armadas do Egito. 

O Egito por inteiro, e especialmente durante esse momento, foi um lugar inacreditável para se estar. O Egito tem suas esquinas escuras e pode ser extremamente difícil de viver lá, mas como artistas, inspiração te vem o tempo todo, desde uma simples virada de cabeça.


entrevista com gavin worth
X Portraits by Gavin Worth

Essa pode ser uma pergunta bem difícil, mas, dos lugares que você tem morado, qual é o melhor? Um lugar que te deu oportunidade para crescer como artista. 

Gavin: Essa é uma pergunta difícil, mas provavelmente escolheria os vales do Rio Grande e os desertos altos do sul do Novo México. Eles são esparsos e tranquilos, e o céu se enche completamente de estrelas durante a noite. Tem uma história, um sentimento de algo antigo, tangível no ar e no chão. Está cheio de uma beleza nascida de temor. 

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