terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Que Horas Ela Volta?

Que Horas Ela Volta?

Que Horas Ela Volta? Imagem: divulgação

No desenrolar da história eu ficava cada vez mais assustado com o rumo que ela estava tomando. Há mais de 10 anos, a pernambucana Val (Regina Casé) vive em São Paulo, onde trabalha como empregada doméstica em tempo integral para ajudar financeiramente na criação da sua filha Jéssica (Camila Márdila), que durante todo esse tempo se manteve em sua terra natal. Por alguns problemas, um reencontro aparentava ser impossível até Jéssica anunciar que iria a São Paulo para prestar vestibular na mesma universidade que Fabinho, filho dos patrões de Val, tentaria uma vaga. 

Já anunciei em algum lugar aqui nessa coisa chamada internet que eu amo filmes nacionais. Na minha humilde opinião, filmes nacionais são bem melhores que muitos filmes da gringa porque eles sabem, como ninguém, lidar com o humor e o drama (meus gêneros favoritos), e acho que, além desse enredo maravilhoso, esse tapa na cara da sociedade, foi esse equilíbrio entre o humor e drama que mais me deixou apaixonado pelo Que Horas Ela Volta? Não desmerecendo o resto, como elenco e sua atuação, imagem, áudio e tudo o que geralmente se avaliam. Ele é completo. Maravilhoso.

A crítica social é nítida sem muito esforço. Ele caçoa a forma "justa" de tratamento da elite e ironiza as diferenças entre as classes sociais patrão-empregado, mostra que elas existem e que estão muito bem camufladas atrás de um "o que isso? Magina... Você é quase um membro dessa família", mostra que esse discurso de politica de boa vizinhança acompanhado de um mas é mais comum do que se imagina - "você é bem-vindo aqui, mas da porta da cozinha pra lá, em condições precárias e com poucas, besteirinha, assim, sabe? de diferença da nossa, mas ainda assim te amamos, tá?".
Que Horas Ela Volta?

Que Horas Ela Volta? 


O elenco não poderia ter sido melhor. Você esquece completamente que aquela Regina Casé do Esquenta é a Val. São duas personalidades totalmente diferentes. Sua atuação como nordestina ficou incrível assim como a da Camila Márdila, que para seu segundo longa-metragem ela saiu bem melhor que ótimo, maravilhoso, incrível. E não podendo esquecer da Karine Teles e da sua personagem incrivelmente odiável Bárbara, a dona Bárbara.

Devido a criação, não apenas de laços entre a personagem da Regina com a personagem do Michel Joelsas, mas, também, da forma de como Val se dedicou em uma década para cuidar de Fabinho, o filme é chamado The Second Mother (A Segunda Mãe), em inglês. Foi positivamente criticado pela New York Times, Festival de Berlim, Sundance e poderá representar o Brasil no Oscar 2016. Vamos torcer!

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