quinta-feira, 1 de junho de 2017

Romantismo: Teatro Romântico e o Fim da Escravidão

Jean-Baptiste
By Jean-Baptiste


É sabido que o Romantismo, como escola literária, é dividido em três distintas gerações: nacionalista, ultrarromântica e condoreira. Nesta última, o teatro assume uma postura ainda mais revolucionária do que nas demais, pois, além de ir contra a maré social, ela também se contrapõe ao próprio movimento romântico em alguns aspectos: enquanto os nacionalistas apontavam para os índios e para os costumes burgueses a luz do holofote em seus romances, os condoreiros davam aos negros o protagonismo em suas peças como forma de militância antiescravista. Os negros também faziam parte da nossa história.

Mesmo que haja controvérsias sobre o posicionamento de José de Alencar em relação ao assunto, suas peças representam uma divisão significativa no teatro romântico, porque, antes delas, os negros conseguiam no máximo um papel secundário, e a escravidão nunca fora abertamente discutida com o público. As peças O Demônio Familiar e Mãe, de autoria de Alencar, ilustram o quão delicado era o assunto: o negro precisava passar comoção para ser reconhecido como ser humano. Com suas peças, Alencar buscou preparar a sociedade do século XIX para uma já esperada abolição a fim de minimizar a marginalização dos negros, que mesmo livres, poderiam retornar ao trabalho escravo por conta da estrutura social da época. E foi o que aconteceu. 

Depois de José de Alencar, vieram tantos outros como apologistas da ideia de fim da escravidão no país. E outra estratégia usada pelos românticos a fim de acabar de vez com a escravidão era afirmar que a sociedade da segunda metade do século XIX estava cometendo anacronismo ao manter costumes da colônia – ter negros como propriedade. 

O teatro romântico termina com Castro Alves com as peças Gonzaga e A Revolução de Minas, mas a temática vai além e alcança também o teatro realista. Além da grande contribuição do teatro romântico para a conscientização mais direta acerca dos cativeiros, outros fatores ajudaram para que, em 1888, enfim, fosse assinada pela princesa Isabel, sob regência do seu pai, D. Pedro II, a Leia Áurea, que dava aos negros a liberdade - e ao Brasil o vergonhoso status de um dos últimos países a abolir a escravidão no mundo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

FARIA, J. R. Teatro romântico e escravidão. Teresa: revista de literatura brasileira. n. 12/13 São Paulo: Universidade de São Paulo, 2013. Acesso em março de 2017.

MAGALHÃES, N. M. José de Alencar e Escravidão: suas peças teatrais e o pensamento sobre o processo abolicionista - 2015. Acesso em março de 2017.


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Resenha: Diário de Uma Paixão (Nicholas Sparks)

diário de uma paixão nicholas sparks


Não sei por onde começar essa resenha. Talvez eu deva falar sobre expectativas. Quem acompanha as resenhas do meu blog já deve estar ciente do tamanho do problema que eu carrego há tempos. Existe aquele ditado que diz "não julgue o livro pela sua capa", mas por mais que eu me esforce, eu não consigo exercitar esse pensamento na minha vida - e Jonathan Tropper, Keri Smith e Isabela Freitas são testemunhas disso.

Julguei, sim, Diário de Uma Paixão. Custei acreditar que eu estava lendo Nicholas Sparks. Esse não é o tipo de livro que a gente lê por prazer; é o tipo de livro que a gente lê por se aventurar em novos gêneros, mas sem esperar muito, por não fazer parte do seu ciclo de leitura, eu achava. Mas eis que veio o primeiro golpe: o livro é muito bom. Numa escala de zero a dez, minha nota é, com toda certeza, um dez. 

O livro é muito bem narrado - esse é o momento perfeito para colocar em prática os tipos de narrador (Gérard Genette). Duke é um homem solitário que passa o resto dos seus dias lendo para pessoas em um asilo. A principio, Duke é um narrador extradiegético-heterodiegético. Ele conta a história de Noah e Allie e seu romance quase proibido devido às suas diferenças sociais: para a família de Allie, mais especificamente para mãe dela, Noah não é a pessoa perfeita para Allie.

A gente conhece as personagens ao qual o romance gira em torno já no futuro, anos após eles serem separados por motivos já mencionados. Allie agora está prestes a se casar com Lon, o julgado marido perfeito pela sua mãe, e três semanas antes do seu casamento, Allie, que passou anos sem notícias de Noah, recebe um sinal de vida e decide procurá-lo para um último adeus.

O livro vai além desse estereótipo de romances destinados a senhoras da terceira idade ou garotas religiosas que sonham com um amor que só existe na ficção, e por motivos óbvios, também conhecidos como spoilers, eu não vou me aprofundar. Acontecem diversas reviravoltas. Acontecem muitas coisas pelas quais vale a pena ler o Diário de Uma Paixão. E se você, assim como eu, tem problemas com expectativas, saia dessa. Vamos desconstruindo isso. Comece por Nicholas Sparks.

Vale a pena ler? Sim

Editora: Arqueiro / Páginas:176 / ISBN: 9788580416701
Nota: 5/5

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