sexta-feira, 24 de junho de 2016

Crítica: Invocação do Mal 2

crítica: invocação do mal 2
Imagem: reprodução
O caso da família Hodgson, famosa por hospedar um inquilino indesejado no fim da década de 1970, ganhou um longa-metragem, do qual a estréia foi no último dia 09. O filme é baseado em fatos reais, mas por julgado insuficiência de enredo, foi necessário complementar com ficção, o que pode ser visto como ponto negativo e deixa eu explicar o por quê:

Eu tenho pra mim que alguns filmes de terror não têm outra função além de te dar uns sustinhos. Seria algo como um filme pornô que só tem a intenção de te levar ao orgasmo e dane-se a história (pesada essa analogia). E esse em especial, é uma parada sem quê nem pra quê e acaba da mesma forma que começa. Sinto que se a história original fosse fielmente retratada, mesmo que em uma duração de uma hora de filme, seria mais interessante, menos enfadonha do que duas horas de filme, cuja intenção aparenta ser apenas segurar o expectador até a última cena que o leva a lugar nenhum. 

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No filme, Lorraine (Vera Farmiga) e Ed Warren (Patrick Wilson) são um casal de investigadores de casos sobrenaturais que, após decidirem dar uma pausa na sua carreira para focar em debates e palestras, são contatados pela igreja para resolver o caso de Janet Hodgson (Madison Wolfe).

James Wan tem uma lista imensa de filmes maravilhosos, mas Invocação do Mal 2 não entra para os meus favoritos do diretor no quesito enredo, mas, por outro lado, tenho que admitir que toda a parte visual do filme está destruidora, cheia de desfoques e movimentos que favorecem toda a tensão, mistério e suspense do filme. 

Merece destaque também Vera Farmiga, Frances O'connor e Madison Wolfe - principalmente esta - pelo trabalho incrível e atuação maravilhosa de cada um. 

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quarta-feira, 22 de junho de 2016

O Que São Morning Pages?

Imagem: Bryan

O Exercício da Crônica - Vinicius de Moraes


Escrever prosa é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada, como faz um cronista; não a prosa de um ficcionista, na qual este é levado meio a tapas pelas personagens e situações que, azar dele, criou porque quis. Com um prosador do cotidiano, a coisa fia mais fino. Senta-se ele diante de sua máquina, acende um cigarro, olha através da janela e busca fundo em sua imaginação um fato qualquer, de preferência colhido no noticiário matutino, ou da véspera, em que, com as suas artimanhas peculiares, possa injetar um sangue novo. Se nada houver, resta-lhe o recurso de olhar em torno e esperar que, através de um processo associativo, surja-lhe de repente a crônica, provinda dos fatos e feitos de sua vida emocionalmente despertados pela concentração. Ou então, em última instância, recorrer ao assunto da falta de assunto, já bastante gasto, mas do qual, no ato de escrever, pode surgir o inesperado. 

Alguns fazem-no de maneira simples e direta, sem caprichar demais no estilo, mas enfeitando-o aqui e ali desses pequenos achados que são a sua marca registrada e constituem um tópico infalível nas conversas do alheio naquela noite. Outros, de modo lento e elaborado, que o leitor deixa para mais tarde como um convite ao sono: a estes se lê como quem mastiga com prazer grandes bolas de chicletes. Outros, ainda, e constituem a maioria, "tacam peito" na máquina e cumprem o dever cotidiano da crônica com uma espécie de desespero, numa atitude ou-vai-ou-racha. Há os eufóricos, cuja prosa procura sempre infundir vida e alegria em seus leitores e há os tristes, que escrevem com o fito exclusivo de desanimar o gentio não só quanto à vida, como quanto à condição humana e às razões de viver. Há também os modestos, que ocultam cuidadosamente a própria personalidade atrás do que dizem e, em contrapartida, os vaidosos, que castigam no pronome na primeira pessoa e colocam-se geralmente como a personagem principal de todas as situações. Como se diz que é preciso um pouco de tudo para fazer um mundo, todos estes "marginais da imprensa", por assim dizer, têm o seu papel a cumprir. Uns afagam vaidades, outros, as espicaçam; este é lido por puro deleite, aquele por puro vício. Mas uma coisa é certa: o público não dispensa a crônica, e o cronista afirma-se cada vez mais como o cafezinho quente seguido de um bom cigarro, que tanto prazer dão depois que se come. 

Coloque-se porém o leitor, o ingrato leitor, no papel do cronista. Dias há em que, positivamente, a crônica "não baixa". O cronista levanta-se, senta-se, lava as mãos, levanta-se de novo, chega à janela, dá uma telefonada a um amigo, põe um disco na vitrola, relê crônicas passadas em busca de inspiração - e nada. Ele sabe que o tempo está correndo, que a sua página tem uma hora certa para fechar, que os linotipistas o estão esperando com impaciência, que o diretor do jornal está provavelmente coçando a cabeça e dizendo a seus auxiliares: "É... não há nada a fazer com Fulano..." Aí então é que, se ele é cronista mesmo, ele se pega pela gola e diz: "Vamos, escreve, ó mascarado! Escreve uma crônica sobre esta cadeira que está aí em tua frente! E que ela seja bem-feita e divirta os leitores!" E o negócio sai de qualquer maneira. 

O ideal para um cronista é ter sempre uma os duas crônicas adiantadas. Mas eu conheço muito poucos que o façam. Alguns tentam, quando começam, no afã de dar uma boa impressão ao diretor e ao secretário do jornal. Mas se ele é um verdadeiro cronista, um cronista que se preza, ao fim de duas semanas estará gastando a metade do seu ordenado em mandar sua crônica de táxi - e a verdade é que, em sua inocente maldade, tem um certo prazer em imaginar o suspiro de alívio e a correria que ela causa, quando, tal uma filha desaparecida, chega de volta à casa paterna.

O que são Morning Pages?


Reza a lenda que um bom escritor nunca para de escrever, mesmo naqueles dias que o falta inspiração. O termo "Morning Pages" trata-se de um técnica utilizada por muitos escritores que consiste em simplesmente escrever. Sim, escrever mesmo que não tenha nada para escrever. Apenas escrever.

No poema de Vinicius de Moraes, ele restringe o ato de escrever mesmo sem inspiração apenas aos cronistas e exclui todos os outros tipos de escritores, em especial os ficcionistas, mas essa técnica tem sido fortemente usada por ficcionistas, e, inclusive, eu a conheci em curso de como escrever ficção.

A prática consiste em encher três folhas em branco com coisas aleatórias que vierem à sua mente naquele momento. Geralmente, são preenchidas com situações do cotidiano como uma espécie de diário mesmo. Seu principal objetivo é "desenferrujar" o cérebro e manter o ritmo da escrita.

Eu prefiro escrever apenas quando estou inspirado, mesmo que isso ocorra uma vez a cada dez anos. Eu odeio muito os meus textos escritos por obrigação, mas admito que é um exercício que tem sua utilidade. Tive praticando a técnica durante todo o curso e as coisas, mesmo que não sejam 100% aproveitáveis, elas fluem melhor, aí é só você fazer uma seleção do que poderá te ajudar no seu trabalho e partir para o processo de edição.

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