segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Auto da Barca do Inferno x Auto da Compadecida

comparação auto da barca do inferno e auto da compadecida
Imagem: divulgação



Comparação entre Auto da Barca do Inferno e Auto da Compadecida

Embora Auto da Barca do Inferno (1531) e Auto da Compadecida (1955), respectivamente, de Gil Vicente e Ariano Suassuna, sejam peças teatrais escritas e representadas em épocas diferentes, as duas carregam muitas características em comum, algo que pode ser explicado pela inspiração que o segundo autor obteve do primeiro.

É possível encontrar as semelhanças entre as obras de Gil Vicente e Ariano Suassuna pelas características implícitas e explicitas que os textos carregam. Por exemplo, ambas as obras Auto da Barca do Inferno e Auto da Compadecida contêm um julgamento, no qual a força do bem e a força do mal se reúnem para decidir o rumo de pessoas (já mortas). Pessoas que, por sua vez, carregam estereótipos, cuja intenção em utilizá-los é criticar um determinado grupo e não apenas uma pessoa específica. Isso se chama “personagem alegórico” e personagem-tipo. A primeira, por ser nítida e por não demandar muito esforço do leitor para encontrá-la, é, portanto, uma característica explicita enquanto que a segunda, por exigir um pouco mais da atenção do leitor, seria uma característica implícita.

Além dos exemplos supracitados, existem outras características nas quais os textos se assemelham, tais como: personagens planos (personagens com poucas características psicológicas), crítica social utilizando os estereótipos das personagens, crítica à hipocrisia da igreja católica (padres e bispos gananciosos), predominante durante a Idade Média e ainda muito comum em cidades pequenas, e a representação em só um ato – mesmo que haja a possibilidade de Auto da Compadecida ser representado em três atos, o autor, no decorrer da peça, deixa livre para que, assim como Auto da Barca do Inferno, ele possa ser uma peça de um só ato.

Outro fator muito interessante é a linguagem coloquial nas duas peças. Gil Vicente, cujo teatro era tido como profano por trocar as igrejas pelas praças, tinha como lema a frase “rindo, corrigem-se os costumes”, pois era através dos trocadilhos e palavrões que provocavam desconforto que ele retratava a vida real. E assim como Vicente, Suassuna não se limita quanto ao uso de palavras tidas como pesadas, mas, por se inspirar nas peças medievais e principalmente no teatro vicentino, já poderíamos expectar esse detalhe (e que faz toda diferença) na sua peça, cujo tema também é uma sátira religiosa. 


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sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Você Sabe Como Nasceu a Língua Portuguesa?

a pátria pedro bruno

Imagem: A Pátria: Pedro Bruno


Como Nasceu a Língua Portuguesa? 


O português chegou à península Ibérica como latim vulgar, trazido pelo Império Romano, por volta dos séculos 218 - 201 a. C. Além do português, o francês, o espanhol, o italiano, também são oriundos do românico, que por sua vez tem origem das línguas indu-europeias. A divisão só é feita durante o movimento de Reconquista que resultou na expulsão dos mouros da Península, estes que, juntos aos godos, visigodos, germânicos e outros povos que já estavam estabelecidos ali, criaram o romance, uma variante do latim, que pode ter durado até 1100.

De 1100 para lá, ou seja, a partir do século XI, à medida que os árabes (mouros) eram jogados para o sul da Península e o Reino de Portugal se consolidava, no território português, os moçárabes e os muçulmanos adotaram o idioma que hoje conhecemos como português arcaico, ou galego-português. Com o galego-português se inicia a primeira manifestação literária de Portugal: o Trovadorismo.

A transição do português arcaico para português arcaico parte dois - maneira como eu carinhosamente apelidei esse paranauê todo - se deu quando, no século XIV, houve a separação do Reino de Portugal da Galícia de Portugal, assim, isolando o galego-português que aos poucos se desvinculava do português.

Foi no século XV que aconteceu a transição do português arcaico parte dois para o português moderno. Durante esse período é comum encontrar textos escritos nas duas formas. No século XVII e XVIII poucos resquícios do português arcádico se restava no português usado na época, o, enfim, português moderno.

Sobre o português contemporâneo falarei mais afrente, porque preciso falar sobre como as colônias e grandes potências como França e Inglaterra influenciaram no nosso idioma. Deles, falarei em duas postagens: Como o português foi influenciado pelo francês e como o português foi influenciado pelo inglês.

Leia também: Quais países falam português?

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